
Pela palavra de Cristo, revolução!
"...Diante de tanta injustiça e miséria que vemos no mundo e da opressão generalizada aos necessitados, proclamar-se inocente é inconcebível para quem buscar servir a Cristo. Querer ser inocente é aceitar as regras da injustiça, é aceitar passivamente a opressão, é não ter feito nada pelos que sofrem. Creio que é impossível ser cristão e não ser subversivo da ordem vigente, de ser fiel a quem trata de derrubar toda a autoridade, como nos fala São Paulo."
(Trecho de carta escrita por Paulo Wright à esposa Edi, 1970)
Em abril de 1964, no entanto, teve o mandato cassado. Acusação: quebra de decoro parlamentar. Motivo: não usar terno e gravata nas seções da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Na verdade, sua cassação foi encomendada pelo CENIMAR (Centro de Informações da Marinha) e Paulo Wright era sabedor do risco de vida que estava correndo. Exilou-se por um tempo e voltou para o Brasil na clandestinidade. Não abandonou sua missão, prosseguindo na atuação como dirigente da AP (Ação Popular). No dia 03 setembro de 1973, quando foi visto pela última vez, num trem em São Paulo. O que ocorreu deste dia em diante, ninguém explicou até hoje.
Curitiba - João Paulo Wright, analista de sistemas, 40 anos, olha para o nada para definir a personalidade do pai: persistente e idealista. Casado, pai de duas filhas, ele ainda carrega na família as marcas da intolerância. Por muitos anos foi chamado na rua de "filho do terrorista" e até seus filhos acabaram discriminados pela atuação política do avô. João Paulo era pequeno quando o pai vivia na clandestinidade, mas lembra com segurança de alguns momentos de visitas escondidas à casa da mãe, em Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba. "Os encontros eram sempre tensos, rápidos, na casa de amigos ou em lugares desertos", recorda.

O Movimento Tortura nunca mais é composto por organizações não governamentais que lutam pela paz, direitos humanos e democracia. Existem grupos organizados nos seguintes estados: